Blog do George®

Dando o braço a torcer

Postado por Alexandre Nix às 08:40

Nos meus tenros anos de infância, fazia de tudo para que minha mãe me levasse para comer naquela famosa rede de trashfood cuja as paredes são pintadas de vermelho e amarelo. Sabe como é… criança não está preocupada com colesterol, alimentação balanceada ou excesso de gordura. Nós basicamente ficávamos hipnotizados pela coleção de sanduíches (que tinham basicamente o mesmo sabor adorável) e nossa única preocupação poderia vir na forma de uma ou duas rodelas de picles de dentro do sanduíche, que gentilmente retirávamos após ou antes de primeira mordida. Aos 12 anos acreditava que o picles era uma espécie de lembrete de que nem tudo é perfeito na vida. No final não importava muito se amargássemos a língua com o picles, estávamos muito ocupados com os brinquedinhos baratos que vinham de brinde ao comprar um lanche.

Acho que minha geração foi a última a passar quase incólume de toda essa pressão social ridícula por um padrão estético praticamente inatingível entre as meninas, e onde os meninos só conversavam sobre saúde quando o assunto caia sobre catapora ou qualquer surto desses que só se pega quando criança. Saúde era assunto de velho. Assunto que ouvíamos da boca de nossas próprias mães que insistiam que parássemos de comer tanta bobagem e limpássemos o prato que ela mesmo preparava.

Minha geração cresceu e invariavelmente todos que conheço se renderam à um estilo de vida mais saudável. Até mesmo os mais sedentários têm noção de que tipos de alimentos deve-se evitar, como balancear melhor suas refeições e como a gordura faz mal à nossa saúde  (pelo menos é o que esse selinho da  sociedade brasileira de cardiologia  aí na direita diz).

Depois de toda revolta adolescente onde negamos as opiniões de nossos pais sobre como viver nossas próprias vidas, sempre encontramos no dia-a-dia da vida adulta momentos em que somos obrigados pela a  dar razão à coisas que nossa mãe dizia. Experiência é a grande vantagem da idade e com ela vem a sabedoria.

Nesse dia das mães (que logo estará chegando) voltarei a comer hambúrgueres, mas dessa vez eu mesmo os farei e se possível convenço minha mãe a experimentar um deles. Quem sabe ela se empolga e compra também um grill?  Parece mais fácil e saboroso de preparar do que aqueles da rede de lanchonete. Mais saudáveis e gostosos eu tenho certeza que são. :)

02 Maio 2008
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